O RASPA É SOBRE O QUÊ?

Eu sempre tenho dificuldades para explicar às pessoas sobre o que é o Raspa. Não posso dizer que é sobre comida. Seria muita pré-potência da minha parte entender de comida, num mundo com mais chefs renomados, do que garçons. Não posso dizer que é um blog de textos. Seria uma armadilha para mim mesmo dizer isso, pois sou redator publicitário e não gostaria que meus textos fossem analisados aqui como algo sério. No blog escrevo de forma solta, leve, sem preocupações estéticas, sem muitas correções. Muito menos posso dizer que é um blog de fotografia. Falta técnica, muitas vezes falta paciência e quase sempre falta sobriedade para tirar fotos com foco. Sem contar que, se existe uma profissão mais popular do que chef de cozinha nessa cidade, é a de fotógrafo. Costumo dizer que o blog é sobre experiências gastronômicas, mas ainda assim, não justifica a existência do Raspa, já que cada vez menos eu como em restaurantes e isso soa muuuuito refinado pra quem jantou omelete com um resto de galeto ontem. Mas algumas vezes, aparece um post na minha frente, que é exatamente a cara do Raspa ou, pelo menos, o que eu gostaria que o Raspa fosse. Esse é um caso:

Através de uma grande amiga de infância, conheci Michael. Um alemão gente fina, engenheiro ACÚSTICO da Mercedes Benz, que está no Brasil por tempo determinado. Primeiro aprendizado: um engenheiro acústico da Mercedes Benz cuida para que, quando você entrar em qualquer carro ou caminhão (sua especialidade) da Mercedes, você ouça apenas sons…leves, bem mais aceitáveis do que os ruídos assustadores que um monstro de lata desse tamanho poderia produzir.

Bem diferente do estereótipo do alemão brabo, desses que parecem estar xingando 3 gerações da sua família, quando na verdade, está apenas perguntando onde fica o banheiro, Michael dividiu comigo muito mais do que ideias, piadas e seu gosto musical. Ele dividiu uma receita que aprendeu com a sua avó, de uma sobremesa muito especial e cheia de lembrança: Apfelstrudel do tipo Suedtiroler. A melhor sobremesa em linha reta, ao ar livre da alemanha.

E é com entusiasmo que eu escrevo: o Raspa é isso. É feito de histórias, de sabores, de tudo que cozinhar evoca e tudo que as amizades, novas e antigas, podem criar em volta de uma refeição.

Minha forma de agradecer? Vou dividir a receita traduzida por Claudinha com vocês também. Porque comida de verdade, não deve ter patente, nem direito autoral. Deve ser dividida, feito cerveja e papo furado.

Massa:
250g de farinha
2 colheres de manteiga
1 Ovo
2 g de sal (duas pitadas)
50 ml de água (morna)

Recheio:
1,1 kg de maçãs (80%verde 20% vermelha)
a casca de um limão
2 colheres de sopa de suco de limão
3 colheres de sopa de avelãs (picadas / pinhão)
farinha de rosca 50g
½ colher de chá de canela
100 g de açúcar de confeiteiro
50 g de manteiga
100g passas
1 colher de sopa de rum

Preparo final + Decoração:
manteiga
farinha de rosca
açúcar em pó
Creme (chantilly)
Sorvete (só vale de baunilha!)

Massa:
fazer um monte de farinha, fazer uma depressão no centro, 2 colheres de sopa de manteiga derretida, ovo e sal. Misture tudo, desde a borda, muito cuidadosamente até a massa ficar elástica. Aos poucos, adicione um pouco de água morna.
Faça uma bola, pincele com manteiga e deixe descansar em uma tigela em local quente (1/2 hora) em um paninho em cima.

Recheio:
Mergulhe as passas em uma mistura de rum com água.
Lave as maçãs, corte em pedaços pequenos quadrados e em uma tigela com 2 colheres de sopa de suco de limão e a casca, pique nozes ou amêndoas. Misture o açúcar e a canela. Escorra as passas, e misture junto com tudo.

Enrolar e decorar:
Em um grande pano limpo e seco, espalhe farinha de trigo e coloque a bola da massa e com um rolo vai esticando até ficar muito fina. Passe manteiga derretida deixando uma margem de 2 a 3 cm livre. Polvilhe farinha de rosca em cima.
Coloque o recheio em cima e enrole a partir da maior parte.
Quando o rolinho estiver pronto passe manteiga derretida em cima.
Deixar cozinhar durante 1 hora a 200 ° C.

Sirva quente com sorvete de baunilha e chantilly.

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6 Respostas

  1. Fernanda

    Puta merda, meu irmão…. E tu nem me chama!!!!

    25/04/2012 às 8:46 PM

  2. Rafaela

    Amo! E sempre quis a receita!!! Lindas fotos e texto! Parabéns!!

    27/04/2012 às 10:31 PM

  3. Marcel

    Receita boa, mas o que me estranha que deixam a massa descansar num lugar quente. Ela não cresce pois não tem fermento biológico. Esse tipo de massa deve descansar num lugar fresco para trabalhar/esticar ela com mais facilidade (para não ficar mole).

    28/04/2012 às 12:11 AM

    • Rapaz, você pode até estar certo,mas eu não mudaria uma vírgula dessa receita, só pra garantir que vai ficar igual a que eu provei.rsrsrs. Abraço.

      28/04/2012 às 9:16 PM

  4. Marcel

    Hehe, é bom demais mesmo. Bom apetite então.

    28/04/2012 às 10:44 PM

  5. Mari

    Muito legal o post tentando dizer “o que é o Raspa”. Realmente, o Raspa é diferente! E é massa! E não precisa de mais definições… Essa receita parece incrível, as fotos tão lindas! E adorei saber que existe um engenheiro acústico da MB! Parabéns pelo post, ficou delicioso! =)

    03/05/2012 às 2:08 PM

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